Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

Basta-me!

pudera eu despir-me aqui perante vós
que mesmo nu continuaria adornado
desta minha condição humana:
pedra e força bruta.
porque as faces mesmo lisas não deixam de ser rudes,
nem as arestas por mais perfeitas deixam de ser ríspidas.
 
pudera eu vir aqui fazer-vos
a critica da convicção pura
e falar-vos de tudo quanto sinto mas não digo.
 
pudera eu vir aqui expor-vos os argumentos
das razões que não sei se tenho
e de todas as opiniões que pari desde que me entendo.
 
pudera eu ser um homem sempre justo…
que as outras imperfeições carregá-las-ia de bom grado
no saco da minha consciência.
 
pudera eu dizer tudo isto e ser entendido,
e não estaria aqui convosco.
 
mas quis a fortuna que o Grande Arquitecto
permitisse que, no prefácio da narração dos tempos,
os homens nascessem brotando do chão.
 
quis Ele que na Idade do Ouro o Sopro Criador
se confundisse com as criaturas,
que o Homem fosse o guardião das cores,
o zelador de todos os ocres e pigmentos.
 
quis Ele dar ao Homem a sede autentica mais a divina figura.
também a ousadia, fundamento da Liberdade.
 
quis ainda a sorte que Prometeu nos desse o lume divino,
e que a caixa de Pandora, senhora de todos os dons,
se abrisse entornando contratempos.
 
desde então as ideias são como alaridos e esgrimas
e as frases soam a desconfianças bastardas.
rebuscamos no campanário das vozes e das prosas de Babel,
a Palavra que um dia dará forma à doutrina do entendimento humano.
catamos na multidão dos vocabulários,
nos mistérios dos catecismos,
no frágil talento dos nossos rudes critérios:
o Sopro Divino, Grande Alento, brasas de Luz a partir do nada;
a Harmonia das Esferas, caroço das perfeições possíveis;
os pedaços, na miragem de chegar ao Todo colando as partes.
 
dói olhar para um homem, vê-lo só a ele, e nem sequer todo...
dói procurar nas Borras da Fundição, olhos que vejam como os nossos...
dói encostar o ouvido ao búzio e não adivinhar o sabor do sal...
dói tanto...
 
mas no dia em que o céu se partir,
as tábuas da mecânica do mundo hão de peregrinar.
nesse dia estarei convosco, para guardá-las.
 
Basta-me!

(Republicação)


(c)Todos os Direitos Reservados Luís Natal Marques às 10:04
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Quarta-feira, 6 de Setembro de 2006

Não sou de cá...

não sou de cá, dizes-me tu.

 

não és.

não és mas sabes

que todos os rios conhecidos moram aqui...

 

onde?

 

aqui. na fonte dos caminhos.

         

        no teu peito...






(c)Todos os Direitos Reservados Luís Natal Marques às 22:56
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